Papas arrozadas ao som de adufes

O que podem ter em comum, umas “papas arrozadas” e um “adufe”? A resposta é… Proença-a-Velha. Foi aí, no Salão Polivalente, que fomos encontrar um número invulgar de jovens, atendendo ao facto de estarmos numa aldeia do interior desertificado do país.

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São os caminheiros do Corpo Nacional de Escutas (CNE), que iniciaram o seu 23.º Acanac, numa missão que os projetou em direção a aldeias, gentes e culturas.

Foi assim que algumas tribos de caminheiros chegaram a Proença-a-Velha onde, cansados, eram esperados por uma população ansiosa.

O acolhimento…
“Fomos muito bem-recebidos, nós chegámos tardíssimo e tínhamos uma sopa quente à nossa espera”, diz Carolina Simões no momento em que, diante de um grande tacho, mexia uma iguaria de Proença-a-Velha. Chamam-se papas arrozadas e eram uma sobremesa típica nos dias frios da apanha da azeitona. Agora, a receita foi partilhada e uma caminheira do Agrupamento 72 assumia a tarefa de as confecionar.

“Não é difícil, estas senhoras foram sempre ajudando e até já tenho a receita na cabeça”, diz esta escuteira de Abrantes.

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Mas logo ao lado muitos caminheiros perdiam-se entre caixas de cartão, tiras de tecidos, e o desafio que é construir um adufe, esse instrumento de percussão tão característico desta região. Ana dava as orientações e passava a informação acerca deste instrumento em forma de tabuleiro.

“O adufe remonta à época da ocupação islâmica e já só se encontra nesta região do país”, conta-nos esta dinamizadora cultural que nos lembra que, “pela tradição, o adufe estava reservado às mulheres que o tocavam nas noites frias e cantavam melodias antigas que passavam de geração em geração”.

Foi neste universo de autenticidade etnográfica e humana que os caminheiros mergulharam, para uma experiência que os ajuda a entender melhor o que se espera de quem traz o lenço vermelho ao pescoço.

“Ui… essa é difícil…”
A expressão saiu imediata da boca da Carolina quando lhe perguntámos o que significava ser caminheira. “Nós já fizemos tudo o que podíamos para crescer por fora. Agora, o desafio é crescer por dentro ser uma pessoa melhor”, afirma.

E crescer “por dentro”… é? “É tornarmo-nos bons, ajudar os outros em qualquer circunstância, saber servir que é o nosso lema”, refere Carolina Simões. Perto, Rodrigo Pinto sorria e confessava: “O escutismo é a minha vida… ser caminheiro é espetacular”, diz este escuteiro da Região de Setúbal.

“Se não fosse escuteiro acho que não seria uma pessoa tão prestável, tão proativa, tão dada ao próximo como me esforço por ser. É isto que nós aprendemos nos caminheiros, sermos nós próprios e sermos para os outros”, acrescentava este caminheiro do Agrupamento 415 de Santa Maria da Graça.

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Na madrugada desta terça-feira, mais de dois mil escuteiros, com idades entre os 18 e os 22 anos, saíram do Centro Nacional de Atividades Escutistas que acolhe o 23.º Acanac, para uma missão de três dias, através das aldeias de vários conselhos do centro do país.

 

Texto: Henrique Matos
Fotos: Nuno Perestrelo

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